Em defesa do Gordo

RonaldoNão estou aqui para ser advogado do diabo. Aliás, se quem eu estivesse defendendo fosse o diabo, ele não deixaria de ser o responsável maior por nós sermos os atuais campeões do mundo. E isso depois de ser desenganado para o futebol. A impaciência com Ronaldo é algo que só não é surpreendente porque estamos no país mais mal-acostumado com vitórias no futebol. Se o Fenômeno está gordo, qual o motivo de não cobrar mais de quem está em forma, como Ronaldinho? E olha que só estamos falando do melhor do mundo e que foi uma lástima na estréia, como todo o time, tirando Dida, Juan, Lúcio e Kaká. Ronaldo foi convocado com 17 anos para a primeira Copa, com 21 tinha a obrigação de ganhar uma, com 25 capitaneou a conquista e com 29, na sua quarta competição, ainda não ganhou a confiança dos brasileiros. E a prática de confiar tem que ganhar força nos períodos mais difíceis. Se não fosse o Felipão confiar no Ronaldo, enquanto exigíamos um Romário meia-boca, o quinto título da Copa dificilmente viria.

E a pressão da imprensa é tão injusta, ou talvez até mais, do que a da torcida. Na última coletiva, as perguntas iam mais na direção de tirar o camisa 9 do time do que saber o que realmente aconteceu. Uma pergunta, porém, me chamou atenção: Ruy Costa, da Rádio Guaíba, questionou se todos esses problemas físicos não poderiam ser causados por stress. E essa pode ser a grande resposta. Estamos falando de alguém que virou o culpado pela perda da Copa de 98, já que teve uma convulsão. Após isso sofreu contusão e disseram que nunca mais voltaria. Voltou e sofreu de novo a lesão. Médicos afirmaram que ele nunca mais seria o mesmo. E depois de dois anos de trabalho duro para voltar só a jogar, mesmo que sem a mesma condição de antes, ele retorna e conquista um torneio mundial sendo o artilheiro. E depois da festa, voltou a ser considerado um peso (no duplo sentido) para o Brasil. Mesmo tendo uma atuação histórica, já “gordo”, contra a Argentina, no Mineirão, quando marcou três gols. Não há dúvidas que ele está parrudo, prejudicando a velocidade e a habilidade, mas todos querem Ronaldo na melhor forma e estão trabalhando pra isso, sem dúvida. Não custa termos paciência. Robinho, ou mesmo Fred, só seriam “a grande solução” se jogassem em outra seleção. Isso sem contar na preocupação do adversário com o jogador. Sem forçar na batatinha, repare o gol de Kaká, contra a Croácia. Quatro defensores estão na entrada da área. Um marca Adriano e o outro marca o jogador com a bola. Dois estão preocupados com Ronaldo. Um vazio se abre. Gol do camisa 8 do Brasil. No meu vídeo, com muita paciência e repetição, é possível ver isso. Mas lembre-se: precisamos do Fenômeno a partir das oitavas. Austrália e Japão são só amistosos de luxo.

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